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INTERFERÊNCIAS PRÉ-ANALÍTICAS EM DOSAGENS LABORATORIAIS
Para reduzir as dúvidas clínicas e de exames físicos no raciocínio médico, é indispensável que o preparo do paciente siga a determinadas regras, pois existem variáveis que chegam a representar até 70% dos “erros” mesmo num laboratório com um Sistema de Qualidade bem estabelecido, podendo assim, interferir na exatidão dos resultados. Para evitá-las, é importante conhecê-las e controlá-las.
Eis algumas condições pré-analíticas: variação cronobiológica, gênero, idade, posição, atividade física, jejum, dieta, uso de drogas para fins terapêuticos ou não. Essa variação corresponde às alterações cíclicas da concentração de um determinado exame em função do tempo como, por exemplo, nas concentrações do ferro, onde as coletas realizadas à tarde fornecem resultados até 50% mais baixos do que os obtidos nas amostras coletadas pela manhã. Outro exemplo é o TSH (hormônio estimulante da tieróide), exame muito solicitado e cuja coleta ainda é realizada à tarde por recomendação médica.
Numa abordagem mais ampla, outras condições devem ser consideradas: procedimentos terapêuticos ou diagnósticos, cirurgias, transfusão de sangue e infusão de soluções. Sabe-se também que o paciente pode ser o responsável por um “erro” de forma voluntária ou não, por intermédio de vários mecanismos: liberação de hormônios devido ao estresse na hora da punção; incompreensão das recomendações prescritas pelo laboratório; incapacidade de aderir às recomendações prescritas pelo laboratório; desconhecimento dos fatores interferentes; ocultação de dados relevantes por julgá-los dispensáveis, por exemplo: jejum; etc.
Existem diferenças por Gênero, onde alguns parâmetros sangüíneos e urinários se apresentam de forma distinta entre homens e mulheres em decorrência das diferenças metabólicas e da massa muscular, entre outros fatores. Também, por idade onde se considera a maturidade funcional dos órgãos e sistemas, conteúdo hídrico e massa corporal. Por posição pode-se ocorrer de um indivíduo se movimentar-se na coleta ocasionando um afluxo de água e substâncias filtráveis para fora dos vasos, prejudicando a análise. Substâncias não filtráveis, como proteínas de alto peso molecular e os elementos celulares terão sua concentração relativa elevada até que o equilíbrio hídrico se restabeleça. Por essa razão, níveis de albumina, colesterol, triglicérides, hematócrito, hemoglobina, de drogas que se ligam às proteínas e o número de leucócitos podem ser superestimados em até 10% da concentração inicial.
Diferenças por Atividade Física, são ocasionadas pelo esforço que causa aumento da atividade sérica de algumas enzimas pelo aumento da liberação celular. Esse aumento pode persistir por 12 a 24 horas após a realização de um exercício. Coletas por Jejum, muitas vezes, devem ser evitadas após períodos muito longos, acima de 16 horas. O período de jejum habitual para a coleta de sangue de rotina é de 8 horas, podendo ser reduzido a 4 horas, para a maioria dos exames. Quando se há, restrições por dieta, é possível que haja interferência na concentração de alguns componentes orgânicos do paciente.
No caso de uso de Fármacos e Drogas de Abuso, além dos efeitos fisiológicos, deve-se citar os efeitos analíticos importantes: a possibilidade de ligação preferencial às proteínas e eventuais reações cruzadas. O consumo, mesmo esporádico, do etanol pode causar alterações significativas na concentração plasmática de glicose, de ácido lático e de triglicérides. O tabagismo é causa de elevação na concentração de hemoglobina, no número de leucócitos e de hemácias e no volume corpuscular médio; redução na concentração de HDL-colesterol e elevação de outras substâncias como adrenalina, aldosterona, antígeno carcinoembriônico e cortisol. Outras causas nas diferenças pré-analíticas podem ser os procedimentos Diagnósticos e/ou Terapêuticos, por exemplo: a administração de contrastes para exames radiológicos ou tomográficos, a realização de toque retal, de eletroneuromiografia e alguns procedimentos terapêuticos, como: hemodiálise, diálise peritoneal, cirurgias, transfusão sangüínea e infusão de fármacos. Portanto, deve-se proceder a coleta de sangue sempre antes da realização destes procedimentos.
Tendo em vista a interação ativa que acontece entre os agentes independentes (paciente, médico, pessoa que coleta, executor do exame, etc) fica mais fácil compreender essa complexa fase pré-analítica, sendo uma premissa básica para se alcançar bons resultados e sem dúvida, a difusão do conhecimento é o melhor ponto de partida.
Dra. Fabiola Hecke
Especialista em Análises Clínicas pela PUC - PR
Auditora da Qualidade pela Det Norske Veritas (DNV) – ISO 9001:2000
Diretora da Qualidade do Laboratório Biocenter |
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